DOM FREI AGOSTINHO O PERÁRIO DA ÚLTIMA HORA .



Caríssimos irmãos e irmãs!
Dentre os diversos artigos, relatos, orações, crônicas e histórias que escrevi e acompanhei ao longo destes anos no Cavaleiro da Imaculada, nenhum possuiu o peso deste que escrevo agora. Não se trata de um relato triste, e sim de uma narração que nos causa dor da saudade e impotência perante os planos de Deus. Mas que antes de tudo nos inspira, revigora e faz com que tenhamos a certeza que vale a pena seguir a Cristo e conformar a nossa vontade a vontade de Deus, assim como fez Nossa Senhora.

Peço desculpas se houver falta de clareza em minhas palavras. Buscarei ser extremante fiel aos relatos que ouvi nos últimos dias de sua vida, conjuntamente aos que presenciei no momento de sua despedida.

Com o desejo sincero e a vontade de partilhar quão grande foi a vida deste homem, e o modo o qual Deus o ornou de graças no momento de seu falecimento, será necessário voltar algumas dezenas de anos em sua história. Portanto, o texto, em alguns momentos, não seguirá uma ordem cronológica. Sem as partes não entenderemos o todo. “O todo, em Dom Agostinho, resume-se em amar a todos por igual” (Dom Afonso Fioreze, bispo de Luziânia – missa de corpo presente).
O operário da última hora (cf. Mt 20,1-16)
Assim poderíamos denominá-lo após ouvir o seu testemunho vocacional. Devido à Segunda Guerra Mundial, teve a sua infância interrompida, não podendo frequentar a escola no tempo devido. Quando adolescente foi deportado para o leste da Prússia, onde trabalhou forçado nas lavouras alemãs. Estes episódios atrasaram sua vida acadêmica. Só completou seus estudos aos dezoito anos, época em que pediu para ser admitido no seminário de Niepokalanów. Por conta de sua idade “avançada” teve seu pedido rejeitado por duas vezes. Afirmava que sua entrada na Ordem tinha sido um milagre. A terceira carta enviada pedindo sua admissão foi recebida pelos frades no dia da morte de São Maximiliano, 14 de agosto. Por conta disso, foi aceito como exceção. A sua entrada tardia no convento possibilitou um olhar cauteloso e humano, características que lhe renderam a graça de lançar as sementes com paciência e cuidado. “Escrevi para Niepokalanów para ser aceito no seminário menor. A resposta foi negativa, pois faltava-me um ano para completar o primeiro grau. No ano seguinte escrevi novamente, já com o documento. A resposta novamente foi negativa. Desta vez o motivo seria a minha idade – havia completado 18 anos. Os cinco anos de guerra tinham interrompido meus estudos. Fui aconselhado a procurar outros seminários. Eu não admitia nem pensar em outros seminários! Escrevi uma terceira vez. A carta chegou em Niepokalanów no dia do aniversário de morte de Frei Maximiliano. Essa coincidência foi providencial. Acabei sendo aceito em regime de exceção. Tinha duas semanas para me apresentar no seminário. Aliviado, compareci pontualmente” (Dom Agostinho – Carta à comunidade do Jardim da Imaculada – Páscoa de 2008).

Frei Ennis Claudio, diácono.

Relacionados aos seus interesses

0 comentários